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Domingo, Janeiro 13, 2008
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AU REVOIR! por Anderson Souza.
Ironicamente, uma semana após eu comentar o fato de ainda permanecer no blog Notícias da Cidade, eis que venho comunicar o meu afastamento do mesmo. Fico feliz de ter feito parte desse projeto e satisfeito com os resultados obtidos coletivamente. Agradeço a todos que contribuíram para meu aperfeiçoamento acadêmico e profissional com sugestões, comentários e críticas durante esses 8 meses que me mantive presente a cada domingo. E por isto, além de acreditar que não me falta educação para pelo menos informar às pessoas que acessavam o blog, em especial àqueles que acompanhavam com freqüência o que eu produzia, que não terão mais outros textos meus, além deste aqui. Porém, saliento que não me manterei recluso, passarei a postar minhas redações num outro blog, o Mídia Rebelde. A proposta é semelhante a deste blog, contudo as pessoas envolvidas parecem ser responsáveis. É isso aí! Eu, Eliene Nunes, invado o espaço de meu colega Anderson, para também, fazer uma despedida deste espaço que esteve no ar durante todo este tempo, com um peso muito grande no coração, pois foi aqui que pudemos nos certificar que paradigmas podem ser quebrados, e que não precisamos estar sendo explorados todo o tempo, (como vemos nos grandes meios de comunicação de nosso país), como estagiários para termos certeza de que estamos aptos para exercer a profissão que sonhamos, idealizamos e, finalmente conquistamos com muita luta e resignação. Agradecemos a todos pelas visitas e pelas críticas que, certamente, nos fizeram crescer e amadurecer para dar continuidade a esta profissão tão importante para a sociedade. Um abraço a todos!
Quarta-feira, Janeiro 09, 2008
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A VIDA DOS ANIMAIS, por Eliene Nunes
A luta pela defesa dos animais está cada vez mais em evidência para que eles sejam protegidos dos maus tratos, ter uma boa alimentação, cuidados médicos, enfim ter uma qualidade de vida, como todo ser vivo merece. No entanto, em vários pontos de nossa cidade, podemos observar grande quantidade de animais abandonados, com aparência pouco saudável e demonstração de sinais de doenças, mostrando com isso a ineficiência dos órgãos responsáveis pela proteção e controle destes animais. Em contrapartida, podemos analisar uma realidade bem diferente para outros animais, também conhecidos como animais de estimação, que levam uma vida de majestade, com tamanha ostentação que chega a deixar muita gente indignada ao comparar a vida deles à de muitas pessoas, entre elas crianças e idosos carentes que vivem na linha da miséria em nosso país. Estes animais apresentam-se bem vestidos, sempre bem enfeitados com pêlos bem escovados, após uma sessão em salões de beleza, além das constantes visitas a consultórios médicos, sem falar nos hotéis que eles freqüentam quando seus donos os hospedam em períodos de férias ou festas por estarem impossibilitados de estarem juntos. Os animais, principalmente os cães, estão até sendo registrados com nomes próprios, a exemplo de Maria Helena, Sara, Michele, entre tantos outros, fato que também deveria ser analisado pelas associações, pois muitas pessoas se sentem incomodadas com este tratamento-mor que lhes são dispensados, achando apenas que deveriam ser bem tratados como todo ser vivo merece, com amor, carinho, mas sem afrontar grande parte da população diga-se de passagem, economicamente carente por todo o país. Isaltina Alves, 62 anos, afirma: “nunca vi tanto desrespeito deste pessoal que tem dinheiro, colocar animais vestidos iguais a gente? Por que não doar este dinheiro, que pra mim é desperdiçado, a hospitais e orfanatos, dando uma melhor vida aos nossos ‘irmãos’?” Flávia Santos, 44 anos, defende: “quem tem que proporcionar uma vida melhor à população são os governantes, diminuindo seus gastos e investindo mais na saúde, educação, transporte, em vez de estarem usando nosso dinheiro para permanecer no luxo exagerado em que eles vivem a nossas custas”. E assim ficamos a refletir sobre como deve ser a vida dos animais, iguais à dos homens ou a dos homens iguais à dos animais? Domingo, Janeiro 06, 2008
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MAIS UM ANO DE HERESIAS, por Anderson Souza.
Led Beslard Esse é o primeiro texto do ano de 2008 que produzo aqui para o blog. Quem diria que um projeto feito com o objetivo de suprir as exigências da faculdade para um estágio supervisionado, ultrapassaria as barreiras do obrigatório para satisfazer minhas necessidades de aperfeiçoamento textual e conseqüentemente profissional? Pra ser sincero, desde o momento que aceitei fazer parte do blog nunca me limitei a um determinado prazo para encerrar minhas atividades. Como diria o filosofo francês Henri Bergson, “quanto mais aprofundarmos a natureza do tempo, melhor compreenderemos que duração significa invenção, criação de formas, elaboração contínua do absolutamente novo” (A evolução criadora, p. 12). E é neste pensamento que prossigo. Então, mais um ano surge e as pessoas desejam e buscam demonstrar um clima de paz e fraternidade. Seria bom se a realidade coincidisse com esses anseios de harmonia entre os seres, mas isto é deveras utópico. E em função disso muitos buscam uma forma de mascarar a verdade e de se iludir no seu cotidiano. Várias são as formas, alguns usam drogas, outros a religião e há ainda aqueles que buscam as festas para esquecer dos problemas da vida. Curioso é poder perceber essas três maneiras de fuga juntas, agindo de uma só vez. É quase uma overdose. Passada a festa natalina e o dia da confraternização universal caminhamos para a festa da carne, ou seja, o carnaval. A Bahia é referência no que diz respeito à festa e ao sagrado e profano. Uma das comemorações que temos nos primeiros dias do ano é a festa de reis. Aqui no bairro da Lapinha podemos ver a mistura do que é considerado religioso com som alto e diverso e muita “birita”. Vamos em seguida para a 10ª edição do festival de verão, quatro dias de muita energia concentrada. O segundo dia do festival coincidirá com a lavagem das escadarias da igreja do Bonfim, evento tradicional que também mescla religiosidade com muita folia (você já deve ter ouvido falar em Bonfim Light, não é?). Eis que chega a maior e a mais esperada das festas, o carnaval. O ritmo é o mesmo que move todas as outras, só que em um nível mais alto. O consumo de bebidas alcoólicas e drogas de todos os tipos é abundante durante os eletrizantes dias carnavalescos. Entre outras coincidências, o dia de Iemanjá será no período do carnaval e o circuito será ampliado ligando uma festa à outra. Ufa! Haja disposição, tempo e dinheiro para tanta festa, para tanta ilusão. Pensar que muitos passam o ano inteiro se preparando para em alguns momentos exorcizar todos suas aflições! Aflições estas que se perpetuarão logo que a festas e as drogas acabarem, logo que o último trio tocar, ou melhor, logo depois do arrastão e da ressaca do carnaval (tem que ter a “saideira”!). Mas, após toda satisfação espiritual, sexual, toxicológica e pessoal adquirida durante todo esse período festivo, a realidade nos encara. Chega a hora de pensar nos pecados, nas doenças adquiridas, nos vícios mantidos, nas dívidas feitas, enfim no caos estabelecido para o resto do ano. Ora, não tem problema! Na virada do ano fizemos nossos pedidos e acreditamos que Deus nos ajudará a concretizá-los. Afinal “se Deus é por nós quem será contra nós?”. Quinta-feira, Janeiro 03, 2008
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TODOS TEMOS OS DIREITOS IGUAIS, por Eliene Nunes
O ato de fumar sempre foi uma atitude comum em qualquer lugar do mundo. Para uns é considerado relaxante e prazeroso. Já para outros ele é classificado como repugnante, incômodo, prejudicial e desrespeitoso. No passado, o fumante e o não-fumante podiam freqüentar o mesmo ambiente sem ocasionar nenhum transtorno, mesmo que a fumaça incomodasse ou tomasse todo o espaço, tornando-o opaco aos olhos de quem observava de fora. Hoje, o fumante é visto com maus olhos e recebido com desdém nos lugares aonde chega com seu cigarro entre os dedos. Aliás, há lugares que não existem mais espaços para acolhê-los, o que acho um absurdo, a invasão na liberdade de escolha do indivíduo. Eles estão sendo marginalizados, dando oportunidade de surgir em nossa sociedade mais um preconceito social neste mundinho tão diversificado, e que tem demonstrado o desejo de ser unificado nas classes sociais. No século passado, até as mulheres que queriam ser consideradas emancipadas passaram a fazer uso do cigarro usando todo seu charme e elegância, quando expunham as suas cigarrilhas de ouro, em público. Hoje, estão engajadas na luta pela proibição do fumo em todos os lugares. O tabagismo está sendo condenado e taxado como o causador de doenças como câncer, osteoporose, mal de Alzheimer e o pior de todos, o preconceito social. Eu já fumei, deixei há muito tempo, porque achei que já não mais me satisfazia em nada, porém não condeno ninguém que quer continuar fumando como uma maneira de se descontrair. Quem fuma está sendo condenado a viver reprimido, enclausurado, pois não tem mais liberdade de escolher onde e quando fumar. Está provado que fumar é prejudicial ao nosso organismo, mas como seres humanos livres que somos, temos o direito de escolher o que consideramos melhor para nossa vida, independente da opinião da maioria da sociedade. Afinal, todos temos direitos iguais. Possivelmente, daqui a alguns anos a produção de cigarro se torne escassa e a sua aquisição só aconteça de forma ilícita, pois quem usa e não pretende abandonar o vício, só o encontrará nos lugares mais inviáveis possíveis. Com certeza, em qualquer tempo alguém vai optar pelo uso do cigarro, em alguma fase de sua vida tendo ou não a liberdade de fazê-lo. Domingo, Dezembro 30, 2007
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“NÃI SEI SE VOU OU SE FICO”, por Anderson Souza
Henfil Assim que pude dispor de tempo para um momento de lazer resolvi visitar alguns amigos que já não encontrava há pelo menos uns seis meses. Como não tenho carro e as condições financeiras são comedidas não pude pegar um táxi, portanto, utilizei o meio de transporte mais clássico, o “buzú”. O dia estava muito bonito, o calor estava propício para uma passagem na praia, mas meu caminho era outro, por isto, chegando ao ponto de ônibus procurei me abrigar do sol. Não havia possibilidade de me manter à sombra, pois, não havia cobertura no ponto. Uma placa era a única indicação de que ali era parada obrigatória, sem bancos ou qualquer outro artifício para uma confortável acomodação. Assim, me mantive de pé com a transpiração às pampas esperando o bendito ônibus. A partir dali, minha alegria por um reencontro estava sendo confrontada com minha paciência. Na verdade a impaciência começou a tomar conta de mim. Após 50 minutos, desde a minha chegada ao ponto, nenhum ônibus para o bairro de Paripe havia passado. Meu momento de diversão estava se tornando um momento de insatisfação. Mas, enfim, o coletivo chegou e como era de se supor, depois de tamanha espera, estava lotado. Outras pessoas (algumas delas já se encontravam no ponto antes de eu chegar) correram junto comigo para pegar o tão aguardado transporte, que só parou 20 metros adiante. Havia algumas pessoas no fundo do ônibus e após nossa entrada outros ficaram pendurados correndo risco de cair. Durante a viagem o motorista evitou parar em alguns pontos, claro, não havia como entrar mais ninguém. Contudo, fiquei imaginando quanto tempo aquelas pessoas estavam a esperar e quanto tempo mais esperariam para um outro ônibus passar. Bom, cheguei são e salvo ao meu destino, mas não sem refletir sobre todo o acontecido. Primeiro, a estrutura do ponto de ônibus não era a mesma que costumo ver no centro da cidade. Segundo, é inadmissível que um cidadão passe tanto tempo no ponto esperando por um transporte que na maioria das vezes está em péssimo estado. No meu caso, estava a passeio, mas, e quanto àqueles que estavam indo ao trabalho? A princípio pensei que estava apenas com falta de sorte, mas o que mais me deixa indignado é que isso acontece freqüentemente, cotidianamente, faça sol ou chuva. Então, chegando em casa, assistindo ao noticiário vejo uma cartilha que instrui os consumidores dos seus direitos quanto ao desrespeito estabelecido nos aeroportos do nosso país. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) produziu e disponibilizou a cartilha “Verão no Ar 2008”. O texto inicial da cartilha já nos diz que a mesma “tem o propósito de informar aos usuários do transporte aéreo seus direitos e obrigações e apresentar orientações básicas para evitar que contratempos prejudiquem as viagens, mais freqüentes nesta época do ano”. Entre outras coisas, traz orientações de como proceder em caso de atrasos, cancelamentos de vôos, overbooking (venda de passagens superior ao número de assentos), extravio ou dano de bagagem. Não sou contra ao fato de que todos, independentemente de classe social, sejam respeitados quanto aos seus direitos de cidadão e consumidor, mas não podemos engolir e se incomodar com problemas que fogem à nossa realidade, esquecendo, assim, dos problemas que nos afligem todos os dias e que tem pouco ou nenhuma repercussão na imprensa. Quando isso acontece, tudo gira em torno dos interesses das empresas de transportes, como alertas para não fraudarmos isso ou aquilo. A grande mídia tem dado bastante atenção aos problemas enfrentados pelas pessoas que consomem diretamente os serviços aéreos. O mais engraçado é que temos nos sensibilizado com a situação e não nos damos conta de que nossa realidade é outra. Quem realmente utiliza aviões como meio de transporte senão a classe média alta e alta? O pobre, em circunstancias normais, não pega avião. O transporte que pegamos é ônibus, trem e muitas vezes nos deslocamos de um canto a outro da cidade a pé mesmo. Então, pergunto: há alguma cartilha que esclareça os direitos e deveres dos cidadãos que, assim como eu, passam constantemente por todas aquelas situações injustas, constrangedoras e caóticas ao esperar o seu tradicional meio de transporte? O transporte aéreo assim como as agradáveis situações no transporte urbano são privilégios de poucos. Pessoas de baixa renda que moram no subúrbio não têm com quem reclamar ativamente ou ter seus problemas significativamente solucionados. Na verdade existe a Coordenadoria de Informação e Atendimento à Comunidade (CIAC), que é responsável pelo atendimento ao usuário do sistema de transportes e tráfego de Salvador. Sua função é registrar e encaminhar solicitações, sugestões e reclamações sobre transportes urbanos e escolares, táxi, estacionamento, tráfego, trânsito e metrô, bem como informar e orientar à população sobre tudo que estiver relacionada. Mas, caso tenham algum tipo de problema dessa natureza façam um teste entrando em contato com esse órgão e vejam se terão resultados satisfatórios. Até hoje não tive. CIAC: Central de atendimento: Tel.: 3371-1580, Fax: 2109-3683 Postos de atendimento: Estação da Lapa, Pirajá, Iguatemi e Mussurunga. E-mail: ciac@salvador.ba.gov.br Terça-feira, Dezembro 25, 2007
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FELIZ NATAL!, por Eliene Nunes
Hoje, todos devem ainda estar extasiados com a chegada do Natal, talvez por ter adquirido algo que tanto esperava ou por ter conseguido chegar ao final de mais um ano e ter realizado alguns dos muitos planos que tanto idealizamos. O Natal acontece todos os anos e nós ficamos sempre a espera deste período, para relembrar que a união em família é sempre muito gratificante. Mas será que esta união só deve acontecer neste período, onde a gente está mais preocupada com os presentinhos que iremos dar aos amigos e até mesmo aos nossos familiares? Creio que devemos usar esta época, considerada bastante reflexiva, para repensar os nossos conceitos quanto à união, a solidariedade, o amor, a amizade e tomar uma atitude digna de todos os pensamentos positivos que temos para mudar de comportamentos e atitudes para realmente viver em paz com todos os nossos semelhantes. Vamos repensar o sentido do Natal e agir de forma coerente todos os dias de nossas vidas. A todos um FELIZ NATAL!!!! Domingo, Dezembro 23, 2007
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UM SHOW DE DESRESPEITO, por Anderson Souza
www.globo.com Olá a todos (como diria nossa amiga Regina Guena)! Acredito ter recuperado as forças. Pelo menos, o suficiente para manter-me vivo. Mas, vamos seguir sem devaneios, pois o mundo real está cada vez mais repugnante. Há duas semanas atrás, 09/12/2007, assisti no programa de televisão ou revista eletrônica (como os apresentadores denominam a forma como seus conteúdos são transmitidos à população), Fantástico, a reportagem de uma série sobre a tribo dos Kamayurá, no alto do Xingu, em Mato Grosso. Nessa reportagem especificamente, a produção da tal revista eletrônica focou o modo como a tribo tratava o período de puberdade das índias, uma vez que as adolescentes são retiradas do convívio da aldeia ao menstruar pela primeira vez.. Ora, de pronto me perguntei qual a razão de se mostrar a intimidade daquelas meninas? E o que é pior, de maneira tão grosseira. Mas, durante o vídeo outras questões me vieram à cabeça, mesmo sentindo que para nenhuma delas eu pudesse obter respostas, pelo menos, plausíveis. As imagens mostravam duas jovens índias nuas, sentadas sobre panos, num canto da oca. O que diríamos se tratássemos do tema cujo título fosse “A primeira menstruação – Como orientar nossas filhas”, e exibíssemos imagens de garotas (brancas ou pretas, não índias) trocando o absorvente (nossa cultura utiliza-se desse método para acumular os fluidos menstruais), mostrando os seios delas? Ou ainda, como nossas garotas costumam fazer seus asseios genitais, como a depilação pubiana, por exemplo? Não podemos admitir fatos como esses, não é mesmo? “Nossas crianças não podem ser expostas desse jeito”, muitos diriam. “Vamos processar quem divulgou isso”... “Que falta de respeito”, diriam outros. Nossa... Talvez assuste quem ler o que escrevi aqui, mas, acreditem, não é esse o meu interesse. Quero, sim, que as pessoas se assustem exatamente com a hipocrisia em que vivem. Ainda assistindo ao programa, ouvi perguntas esdrúxulas feitas pela respeitada jornalista, Glória Maria, como: “vocês não têm vontade de fugir daqui?”. Gostaria de saber da Glória se sua pergunta provinha, talvez, do seu próprio questionamento sobre o fato de haver em nossa sociedade casos de abusos sexuais a menores no próprio convívio familiar. Será que para ela as índias corriam tal risco? Talvez a jornalista civilizada supusesse que as adolescentes não estivessem gostando da situação, mas sem a possibilidade de falar sobre isto por medo de sofrer represálias de um membro mais velho da tribo, assim como acontece no lado da cá. No dia 12/04/2007 foi aprovado, pela Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal, um projeto de lei do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ). O projeto prevê a proibição da aquisição de fotografias, cenas ou imagens pornográficas comercializadas por qualquer meio de comunicação, inclusive pela internet. O senador, em algumas declarações à imprensa, disse que "o mercado da pornografia infantil alimenta o apetite de pedófilos e pode estimular a prática de condutas mais graves". O curioso é que é justamente nas instituições religiosas que tal conteúdo tem grande índice de consumo, sem esquecer que muito maiores seriam as práticas que por acaso nos são reveladas vez por outra. A promotora de justiça, Luciana Bergamo Tchorbadjian, no texto “O direito ao respeito e à dignidade da criança e do adolescente e os programas de televisão”, nos diz que “tem sido freqüente a exploração do uso da imagem de crianças e adolescentes em programas de televisão. Não raras vezes, eles são expostos a situações vexatórias e constrangedoras. Têm seu sagrado direito à intimidade violado e tornam-se alvo da curiosidade de milhões de telespectadores [...]”. E foi exatamente o que pude ver na reportagem exibida pela rede Globo de Televisão. Mas, não percebi qualquer tipo de manifestação por parte do público ou da justiça sobre tal episódio. Com isto, talvez, possamos dizer que todos consideraram esse fato normal e sem importância para uma discussão abrasiva e moralista como a que faço agora. Acredito que a discussão seja abrasiva realmente, porém, não sou um moralista. Não tenho filhas, irmãs, sobrinhas e minhas primas já não são mais crianças. Contudo, não me permito assistir coisas que vão de encontro ao que considero justo e correto. E embora nossa sociedade, em tese, também não considere tais abusos justos, é comum que a justiça seja burlada e o produto de tais infrações distribuído com intuito único, qual seja, o grandes índice de audiência. Os direitos são iguais para todos, não importa a cor, origem, sexo ou classe social. Terça-feira, Dezembro 18, 2007
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O Natal deixou de ser o tempo da esperança, por Eliene Nunes Durante o mês de dezembro ouvimos a todo instante propagandas sobre as opções que temos para dar de presente aos nossos amigos e familiares, no entanto, já não ouvimos falar do espírito que deveríamos interiorizar, como o defraternidade, amizade, compreensão e amor para com os nossos semelhantes. Atualmente, não sentimos no homem a valorização do outro como pessoa capaz de amar e de ajudar o próximo sem nenhum tipo de interesse, principalmente durante este período, natalino, por conta disto, resolvemos ouvir algumas pessoas sobre o significado do Natal. Maria Solange, 30 anos, diz: O Natal já não tem mais graça, pois a gente não sente mais que as pessoas se interessam pelo valor que este período desencadeava quando eu era ainda criança, pois todos viam nesta festa o desejo de mudar de comportamento, adquirir mais amizade e, principalmente reforçar os sentimentos de união entre todos da família. Hoje, o Natal só serve para a gente gastar com presentes sem nenhum valor sentimental. Cleuza dos Santos, 66 anos, diz: Sinto falta do meu tempo de criança, onde a gente, mesmo sabendo que o Natal era apenas uma festa, tinha a esperança de viver momentos alegres com a família, toda reunida, até mesmo aqueles que estavam bem distantes, faziam questão de vir para a reunião e tudo era uma verdadeira "farra". Depois a gente ia dormir, na esperança de ganhar o presente que pedia ao Papai Noel. A inocência reinava. Hoje, tudo não passa de interesse comercial. E, nós, simples mortais, ainda podemos acreditar que no Natal as pessoas poderão voltar a sonhar com um mundo melhor e com a esperança de todos serem realmente iguais? VIVA O NATAL E O PODER QUE ESTA ÉPOCA TEM DE NOS FAZER AINDA PENSAR EM SE VIVER EM UM MUNDO MELHOR!
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